Campanha da ATENS UFMG pelo reconhecimento, regulamentação e valorização da atuação dos Técnicos de Nível Superior na extensão universitária
A extensão universitária é um dos pilares da universidade pública. É por meio dela que o conhecimento produzido na instituição chega à sociedade, promove transformação social, fortalece comunidades e amplia o papel público da universidade.
A UFMG, executa milhares de ações de extensão (projetos, programas eventos, prestações de serviço) todos os anos. Em muitas delas, os Técnicos de Nível Superior (TNS) participam diretamente da concepção, do planejamento, da execução e da sustentação dessas iniciativas.
São bibliotecários, psicólogos, engenheiros, farmacêuticos, enfermeiros, fisioterapeutas, médicos, administradores, jornalistas, assistentes sociais e diversos outros profissionais que colocam sua formação, experiência e conhecimento a serviço da sociedade por meio da Universidade.
Entretanto, há uma contradição que precisa ser enfrentada.
Embora muitos TNS atuem efetivamente na elaboração e no desenvolvimento de projetos de extensão, a regulamentação interna da UFMG restringe sua atuação plena na coordenação dessas iniciativas ao exigir que a coordenação acadêmica seja exercida por um docente.
Na prática, isso significa que profissionais aptos a idealizar, propor, estruturar, executar e acompanhar projetos de extensão não podem ter formalmente reconhecida a coordenação do trabalho que realizam.
Essa limitação produz consequências concretas:
• invisibilidade institucional;
• desvalorização profissional;
• desmotivação;
• insegurança quanto ao reconhecimento da própria trajetória.
Além disso, restringe o potencial da própria extensão universitária.
Quando quem participa ativamente da construção de um projeto não pode assumir formalmente sua coordenação, a mensagem institucional é clara: o trabalho é reconhecido, mas o protagonismo não.
Esse cenário torna-se ainda mais relevante diante da implementação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), que exigirá a comprovação de experiências, produção técnica e trajetórias profissionais.
Se a atuação em projetos de extensão não é formalmente reconhecida, como esses profissionais poderão comprovar plenamente sua contribuição?
Essa é uma questão urgente.
É uma questão de justiça, valorização profissional e respeito institucional.
O próprio marco legal aponta nessa direção. A Lei nº 11.091 passou a reconhecer a coordenação de projetos de pesquisa e de extensão entre as atribuições dos Técnicos-Administrativos em Educação, reforçando a necessidade de atualização das práticas institucionais.
Também é importante destacar que mais de 53% dos Técnicos de Nível Superior da UFMG possuem titulação de mestrado ou doutorado, qualificando-se plenamente para propor, coordenar e conduzir projetos de extensão.
Capacidade técnica existe.
Experiência existe.
Compromisso existe.
O que falta é reconhecimento institucional.
E reconhecer essa atuação não fortalece apenas a carreira dos TNS.
Fortalece a própria UFMG.
Porque reconhecer quem faz é ampliar a capacidade da Universidade de produzir mais extensão, mais inovação e mais retorno para a sociedade.
É com esse compromisso que a ATENS UFMG lança a campanha:
TNS na extensão: fazer, coordenar e ser reconhecido.
Nos próximos dias, convidaremos a comunidade universitária para esse debate. Vamos compartilhar relatos, apresentar dados, discutir experiências e construir coletivamente caminhos para o reconhecimento, a regulamentação e a valorização da atuação dos Técnicos de Nível Superior na extensão universitária.
Porque quem propõe, constrói e realiza também deve poder coordenar.
Reconhecer isso é fortalecer a universidade pública, valorizar seus profissionais e ampliar seu compromisso com a sociedade.