Dia Internacional da Mulher: Avanços, Desafios e a Luta Contínua por Igualdade

O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, tem uma origem profundamente marcada pela luta operária por melhores condições de trabalho e igualdade de direitos. Desde o início do século 20, mulheres trabalhadoras de fábricas nos Estados Unidos e na Europa se uniram para reivindicar jornadas de trabalho mais curtas, salários dignos e respeito às suas condições de vida. Oficializado pela ONU em 1975, o 8 de março não é apenas uma data comemorativa, mas um dia de reflexão e, sobretudo, de ação. Uma data para reforçar a exigência de um mundo onde a igualdade de gênero deixe de ser uma promessa distante e se torne uma realidade plena, especialmente no mercado de trabalho.

Neste Dia Internacional da Mulher, a ATENS UFMG reafirma o compromisso com a luta pela igualdade de gênero, reconhecendo os avanços que conquistamos ao longo das décadas, mas também os desafios ainda profundos que persistem, principalmente para as mulheres, no mercado de trabalho. Embora tenhamos conquistado importantes vitórias, a realidade que enfrentamos ainda é permeada por desigualdades estruturais que não podem ser ignoradas. A luta por justiça, equidade e respeito deve seguir firme e implacável.

Dados divulgados pelo DIEESE, em março de 2024, são claros: as mulheres ainda enfrentam uma taxa de desemprego de 9,2%, superior à taxa de 6,0% observada entre os homens. O cenário é ainda mais alarmante para as mulheres negras, cuja taxa de desocupação chega a 11,1%. Esses números não são apenas estatísticas; são reflexos de um sistema que exclui, discrimina e silencia as vozes femininas. Eles revelam a persistente barreira do acesso ao trabalho digno, negado a milhares de mulheres, reforçando as desigualdades históricas que atravessam a sociedade brasileira.

A desigualdade salarial é outra face cruel dessa realidade. As mulheres continuam a ganhar, em média, 22,3% a menos do que os homens, e 39,9% das mulheres no mercado de trabalho recebem até um salário mínimo, um reflexo da precarização do trabalho feminino. Esses dados não são apenas números frios, são um grito silencioso por políticas públicas que não apenas garantam igualdade de oportunidades, mas que promovam uma valorização real do trabalho das mulheres, fundamentais para o funcionamento do Brasil.

Em um cenário como este, a mobilização sindical é mais do que necessária; é essencial. Os sindicatos têm um papel primordial na organização e fortalecimento da luta das mulheres por direitos iguais, sendo a voz de quem, muitas vezes, é marginalizada. A negociação de acordos coletivos, com cláusulas que assegurem igualdade salarial, políticas de combate ao assédio, à discriminação, e a promoção de condições adequadas de licença maternidade e paternidade, é uma ferramenta imprescindível para criar um ambiente de trabalho mais justo e humanizado.

A ATENS UFMG se compromete, mais uma vez, a lutar incansavelmente pela igualdade de gênero e a convocar todas as mulheres a se unirem a essa causa. A solidariedade, a organização e a força coletiva são nossas maiores armas para vencer os desafios ainda presentes. Somente juntos conseguiremos garantir que todas as mulheres tenham direito a um trabalho digno, sem opressões, sem discriminação e com reconhecimento pleno.

Neste 8 de março, celebramos as conquistas históricas, mas, sobretudo, renovamos nossa determinação em continuar a luta por um futuro em que a igualdade de gênero seja uma realidade concreta, onde as mulheres ocupem os mesmos espaços de poder, onde a liberdade e a dignidade sejam asseguradas em todas as esferas da vida. Juntas, somos mais fortes. E a luta continua.

Fontes:

https://www.gov.br/inpe/pt-br/assuntos/ultimas-noticias/dia-da-mulher#:~:text=Em%201975%20a%20Organiza%C3%A7%C3%A3o%20das,de%20g%C3%AAnero%20em%20todo%20mundo

https://www.dieese.org.br/boletimespecial/2024/mulheres2024.pdf 

https://www.bbc.com/portuguese/articles/cjmx1z4k797o